-
Início
-
Município
-
Comunicação
-
Noticias
- Município de Góis acolhe apresentação do projeto LIFE LUDWIGIA para proteger os cursos de água da região
Município de Góis acolhe apresentação do projeto LIFE LUDWIGIA para proteger os cursos de água da região
A Praia Fluvial da Peneda, em Góis, foi o palco escolhido para a apresentação pública, realizada ontem (24), do LIFE LUDWIGIA, um projeto europeu pioneiro que estabelece uma estratégia regional para prevenir, detetar e controlar espécies de flora aquática invasora na Região Metropolitana de Coimbra. Com um investimento global de 2,61 milhões de euros – cofinanciado em 1,56 milhões de euros pelo Programa LIFE da União Europeia –, a iniciativa vai colocar 671 quilómetros de linhas de água sob gestão permanente ao longo dos próximos cinco anos.
Sendo o único projeto português aprovado na convocatória LIFE 2025 no domínio da Natureza e Biodiversidade, o LIFE LUDWIGIA é coordenado pela Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região Metropolitana de Coimbra e reúne seis entidades parceiras: a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a Universidade de Coimbra (UC), a Universidade Politécnica de Coimbra (UPC) e a entidade espanhola Desarrollo de Estrategias Exteriores. O foco principal incide no combate às plantas aquáticas invasoras do género Ludwigia, visando a recuperação de habitats e a preservação da biodiversidade aquática nos 19 municípios da região.
A Ludwigia, planta aquática emergente que integra a Lista Nacional de Espécies Invasoras, caracteriza-se por se enraizar sob a água, apresentando rizomas, caules eretos, folhas estreitas e sobressai pelas suas flores amarelas. De acordo com a investigadora Hélia Marchante, da UPC, trata-se de uma espécie altamente infestante e com grande capacidade de dissimulação, que se desenvolve tanto nos leitos das linhas de água como nas suas margens, gerando impactos profundamente negativos nas atividades recreativas, náuticas e mesmo económicas. Atualmente, a presença da Ludwigia já foi confirmada nos concelhos de Arganil, Figueira da Foz, Montemor-o-Velho e Tábua.
Para o Presidente da Câmara Municipal de Góis, Rui Sampaio, a realização do evento na Praia Fluvial da Peneda reveste-se de um forte significado simbólico pela ligação do concelho aos seus ecossistemas hídricos: "O Rio Ceira é muito mais do que um curso de água. É a grande linha da vida do nosso concelho e um dos principais elementos da nossa identidade", destacou na sua intervenção, acrescentando que "as ameaças ambientais não conhecem limites administrativos. Um rio não termina quando termina um concelho, e a proteção dos recursos hídricos exige, por isso, cooperação, conhecimento partilhado e uma estratégia que ultrapasse fronteiras territoriais".
Embora a espécie invasora ainda não tenha sido detetada no Rio Ceira, o autarca de Góis reforçou a importância de agir antes que o problema se instale no território: "Prevenir é agir antes de termos um problema instalado. É conhecer os riscos, monitorizar os nossos rios, criar mecanismos de alerta e garantir que, perante uma ameaça, exista capacidade de resposta".
Por sua vez, a Presidente da CIM Região Metropolitana de Coimbra, Helena Teodósio, enquadrou a iniciativa numa perspetiva de cooperação e responsabilidade coletiva: "Podemos limitar-nos a reagir quando os problemas aparecem, ou podemos antecipar, conhecer, cooperar e agir. É essa segunda opção que estamos hoje a assumir", lembrando que "os nossos rios, as nossas ribeiras, as nossas zonas húmidas e as nossas praias fluviais fazem parte da história e da identidade da Região de Coimbra, e são também uma herança que temos a responsabilidade de entregar às próximas gerações em melhores condições do que aquelas em que a recebemos".
O Diretor Executivo da CIM Região Metropolitana de Coimbra, Jorge Brito, salientou que esta iniciativa resulta de um trabalho ambiental contínuo desenvolvido ao longo de quase uma década, reforçando o valor do financiamento comunitário obtido.
Para assegurar uma resposta operacional contínua, o projeto contempla a constituição de três equipas territoriais de intervenção em permanente atividade – com polos localizados na Lousã, em Soure e em Tábua –, a par de unidades de biossegurança e de um viveiro de flora nativa sediado em Montemor-o-Velho. Através de tecnologias avançadas como a recolha de ADN ambiental (eDNA) e deteção remota, o LIFE LUDWIGIA pretende conter em 90% a expansão da espécie até 2031 e restabelecer o equilíbrio ecológico nas bacias hidrográficas regionais.
A sessão pública em Góis contou com a participação de representantes das entidades envolvidas na iniciativa, nomeadamente a Presidente da Região Metropolitana de Coimbra, Helena Teodósio, o Presidente da Câmara Municipal de Góis, Rui Sampaio, o Secretário Executivo da CIM Região Metropolitana de Coimbra, Jorge Brito, o Diretor Regional do ICNF, Paulo Farinha Luís, o Administrador da Administração da Região Hidrográfica do Centro (ARH Centro), Nuno Bravo, e a investigadora Hélia Marchante, da Universidade Politécnica de Coimbra (UPC), acompanhados por representantes dos demais municípios parceiros.
Aceda à galeria de fotografias aqui.