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Mostra Social em Góis destaca a pobreza como desafio coletivo e apela a respostas concretas
O Município de Góis assinalou o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, a 20 de outubro, com a realização de uma Mostra Social na Casa da Cultura de Góis. A iniciativa reuniu entidades de intervenção social, representantes de instituições nacionais e comunidade, num dia dedicado à partilha de recursos, à reflexão sobre as desigualdades e à promoção da inclusão social.
Na inauguração, o Presidente da Câmara Municipal de Góis, Rui Sampaio, destacou o trabalho desenvolvido pelas entidades locais e a importância da cooperação para responder às necessidades da população. Sublinhando que a intervenção social não pode depender de esforços isolados, agradeceu às instituições, às equipas técnicas e aos/às trabalhadores/as envolvidos/as no apoio às diferentes faixas etárias e situações de vulnerabilidade. "Tudo aquilo que acontece não acontece porque uma entidade isoladamente está a fazer o seu trabalho, mas sim porque as entidades conjugam esforços e trabalham para ir ao encontro da necessidade das pessoas", afirmou.
O autarca chamou também a atenção para as dificuldades económicas que afetam diferentes grupos sociais, incluindo famílias da classe média, e para a necessidade de reconhecer situações de vulnerabilidade que nem sempre são visíveis. "Temos que continuar a preocuparmo-nos com as pessoas. Isso não pode ser só um momento passageiro, tem que ser algo que é diário e que é constante", salientou.
Rui Sampaio referiu ainda os desafios associados à dispersão geográfica do concelho e ao isolamento sentido por algumas pessoas, sobretudo nas aldeias com menor população. Neste contexto, valorizou as iniciativas de proximidade promovidas pelo Município e pelas Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), que contribuem para aproximar respostas e pessoas.
Debate sobre as causas e as respostas à pobreza
A sessão de abertura da mesa-redonda "Erradicação da Pobreza: Desígnio Mundial Inalcançável?" permitiu aprofundar a reflexão sobre a persistência da pobreza e das desigualdades sociais, apesar dos progressos alcançados nas últimas décadas. Na sua intervenção, Rui Sampaio salientou que a pobreza ultrapassa a insuficiência de rendimentos, refletindo-se também nas dificuldades de acesso à habitação, à saúde, à educação, ao emprego e a outros direitos essenciais. Destacou ainda a forma como as desigualdades territoriais podem agravar estas dificuldades, condicionando o acesso a serviços, equipamentos e oportunidades.
Perante esta realidade, o Presidente da Câmara Municipal de Góis defendeu que "a persistência da pobreza não deve conduzir à ideia de que se trata de uma realidade inevitável ou perante a qual pouco podemos fazer", apelando à análise das causas, à avaliação das políticas implementadas e à construção de respostas capazes de prevenir a reprodução da pobreza entre gerações. O autarca sublinhou igualmente que o combate à pobreza exige uma visão de longo prazo, que conjugue a proteção das pessoas em situação de maior vulnerabilidade com a promoção da autonomia, da igualdade de oportunidades e do exercício pleno dos direitos de cidadania.
A mesa-redonda contou com a moderação de Maria Emília Santos, Diretora de Núcleo de Intervenção Social e Inclusão do Centro Distrital de Segurança Social de Coimbra (CDSS), e com as intervenções de Paula Cruz, Coordenadora da Unidade de Políticas e Projetos Europeus da Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN); João Duarte, responsável de Políticas Públicas da UNICEF Portugal; Carolina Nogueira, Sub-Diretora do Centro de Planeamento e de Avaliação de Políticas Públicas (PLANAPP); Cristina Duarte, Professora do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa (ISCSP-Lisboa); e Nelson Tiago, presidente da Associação para a Recuperação de Cidadãos Inadaptados da Lousã (ARCIL).
Entre as principais questões abordadas estiveram a natureza multidimensional e estrutural da pobreza, as dificuldades no acesso à habitação e a rendimentos suficientes, a pobreza infantil e a vulnerabilidade acrescida das pessoas com deficiência. Foi também destacada a importância de envolver as pessoas que vivem em situação de pobreza na definição das políticas e das respostas que lhes dizem respeito, valorizando a sua experiência e assegurando uma participação efetiva.
A necessidade de estratégias integradas, sustentadas em diagnósticos rigorosos e ajustadas às características de cada território, constituiu outro dos pontos centrais da reflexão. A cooperação entre instituições, a proximidade às comunidades e a participação das pessoas foram identificadas como elementos essenciais para uma intervenção social mais eficaz.
Dar visibilidade ao trabalho das entidades e aproximar a comunidade
Ao longo do dia, a Mostra Social deu a conhecer o trabalho desenvolvido pelas entidades participantes, através da apresentação de projetos, recursos e respostas sociais. O programa incluiu ainda a atuação do Grupo de Cantares de Cortes, a apresentação do grupo "Contradições", da ARCIL, e a realização de workshops práticos e temáticos.
Para Rui Sampaio, a iniciativa constituiu uma oportunidade para valorizar o trabalho realizado no concelho e reforçar a ligação entre instituições e comunidade. O Presidente salientou, contudo, que a reflexão deve traduzir-se em ações concretas, capazes de produzir mudanças nas condições de vida das pessoas. "As coisas não podem ficar só pela conversa, só por aquilo que se diz", advertiu, defendendo que as respostas devem corresponder efetivamente às necessidades identificadas.
A Mostra Social reforçou, assim, a importância da articulação entre entidades, da intervenção de proximidade e da responsabilidade partilhada na prevenção da pobreza e da exclusão social, num compromisso que exige continuidade e envolvimento coletivo.
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