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Góis assinalou legado de Nunes Pereira com inauguração de mural em Ponte do Sótão
O Município de Góis assinalou, no passado domingo, 20 de setembro, o percurso comemorativo dedicado a Monsenhor Nunes Pereira com a inauguração de um mural na Igreja de São Gens, em Ponte do Sótão. A iniciativa integrou o programa "Nunes Pereira: do Nascimento ao [re]nascimento", que decorre até dezembro de 2026 e assinala os 120 anos do nascimento e os 25 anos da morte do sacerdote, artista e humanista.
A cerimónia foi antecedida por uma celebração eucarística, presidida pelo Padre Nuno Santos, Reitor do Seminário Maior de Coimbra, que constituiu um momento de comunhão e encontro da comunidade local, com a participação do Coro-Misto da Associação Educativa e Recreativa de Góis (AERG). Seguiu-se o descerramento de uma placa comemorativa e a inauguração do mural, que reuniu representantes das entidades envolvidas na homenagem, entre os quais o Vice-Presidente da Câmara Municipal de Góis, Nuno Bandeira, e Virgínia Gomes, em representação do Museu Nacional Machado de Castro.
A Igreja de São Gens constitui um dos principais testemunhos da presença artística de Nunes Pereira no concelho. Inaugurado e aberto ao culto a 20 de setembro de 1970, o templo completa, este ano, 56 anos e integra várias obras da autoria do artista, entre as quais os vitrais, a Via-Sacra em ferro forjado e as imagens de São Gens e Santa Ana.
A relação de Nunes Pereira com o espaço está presente desde a fase de conceção da igreja. O artista elaborou, em 1959, um esboço que esteve na origem do projeto do templo, cuja construção resultou do envolvimento da população de Ponte do Sótão e da colaboração da Fábrica de Papel local. Como destacou a Vereadora Paula Matos, da Câmara Municipal de Góis, "nós aqui temos um carinho especial por esta igreja, porque toda ela tem o dedo do Monsenhor".
A intervenção agora inaugurada procura reforçar precisamente essa ligação entre o artista e o espaço que ajudou a conceber. O mural inclui uma representação de Nunes Pereira e recupera o desenho original da igreja, encontrado no seu espólio com o apoio da Oficina-Museu Monsenhor Nunes Pereira, do Seminário Maior de Coimbra.
A criação esteve a cargo do artista Fernando Martins, que já havia desenvolvido outros trabalhos no concelho no âmbito do projeto Góis Oroso Arte, e foi inspirada na fotografia de José Maria Pimentel e na composição gráfica de Rui Veríssimo. A obra estabelece uma relação entre a figura de Nunes Pereira e a igreja de São Gens, preservando no mesmo espaço a memória do criador e a sua ligação à arte. Segundo Paula Matos, a intenção foi "imortalizar a imagem, o criador com a arte, para ficar o criador e a arte aqui eternamente juntos".
A homenagem decorreu também num momento de valorização do próprio património da igreja. Em novembro de 2025, foram concluídas as obras de requalificação do templo, na sequência de um processo promovido pela Comissão de Culto, com o apoio da Associação de Melhoramentos e da Casa do Povo de Ponte do Sótão, ao qual o Município de Góis se associou através de apoio financeiro e do restauro dos vitrais.
O programa "Nunes Pereira: do Nascimento ao [re]nascimento" teve início em dezembro de 2025 e resulta da colaboração entre o Seminário Maior de Coimbra, o Museu Nacional de Machado de Castro e os municípios de Arganil, Cantanhede, Coimbra, Góis, Lousã, Montemor-o-Velho e Pampilhosa da Serra. Ao longo de um ano, o programa promove iniciativas dedicadas à divulgação da vida e obra de Augusto Nunes Pereira, abrangendo áreas como o património, as artes, a literatura, a música, o teatro e a poesia.
Nascido a 3 de dezembro de 1906, na Mata, Fajão, Pampilhosa da Serra, Augusto Nunes Pereira foi sacerdote da Diocese de Coimbra, artista, escritor, poeta e professor. Morreu em Coimbra, a 1 de junho de 2001, deixando uma obra artística particularmente ligada à arte sacra, atualmente reunida e preservada em diferentes espaços da Região Centro, incluindo a Oficina-Museu Nunes Pereira, no Seminário Maior de Coimbra.
Com a inauguração do mural e o descerramento da placa comemorativa, Góis integrou este percurso dedicado à memória de Augusto Nunes Pereira através de um espaço diretamente ligado à sua obra, reforçando a valorização do património artístico e religioso de Ponte do Sótão e a divulgação do legado de uma das figuras marcantes da cultura da Região Centro.
Aceda à galeria de fotografias aqui.