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Exposição “O Gesto e a Matéria” já abriu portas na Casa da Cultura de Góis
O foyer da Casa da Cultura de Góis transformou-se, desde o final da tarde de ontem, num espaço de contemplação e homenagem à herança do trabalho fabril. A exposição fotográfica “O Gesto e a Matéria”, da autoria de Emanuel Bento, foi inaugurada oficialmente numa cerimónia que assinalou o arranque desta mostra documental, patente ao público até ao próximo dia 22 de julho, com entrada livre.
O momento inaugural foi marcado pela partilha e pela proximidade, contando com a presença do fotógrafo e de Vasco Lopes, o mestre serralheiro da empresa Alunorma cujo percurso de 35 anos de dedicação à metalomecânica serve de fio condutor a todo o projeto. A sessão contou ainda com a participação do Presidente da Câmara Municipal de Góis, Rui Sampaio, e da Vereadora Paula Matos, que sublinharam a importância de acolher iniciativas que cruzem a arte contemporânea com a preservação da memória social e laboral da região.
Deixando de lado as previsões e passando à realidade que agora veste as paredes da Casa da Cultura, os/as visitantes são desafiados/as a mergulhar num ensaio visual a preto e branco de forte impacto sensorial. A objetiva de Emanuel Bento imortaliza a simbiose entre o homem e a máquina: a precisão cirúrgica de movimentos repetidos ao longo de décadas, a textura da pele calejada em contraste direto com a frieza do ferro e pequenos detalhes quotidianos, como o emblemático gesto de segurar o lápis nos lábios durante o corte na oficina.
Mais do que um registo biográfico, quem visita o espaço depara-se com um manifesto artístico muito atual. Num quotidiano cada vez mais moldado pelo digital e pelo intangível, a exposição afirma-se como um convite à paragem, forçando-nos a valorizar o que é físico, palpável e resistente ao tempo.
Recorde-se que Emanuel Bento (n. 1998, Alvoco das Várzeas), licenciado em História da Arte pela Universidade de Coimbra e com formação especializada desenvolvida no Instituto Português de Fotografia (IPF) no Porto, utiliza o seu olhar geográfico e social para aproximar o passado do presente. O resultado desse cruzamento identitário pode agora ser apreciado e descoberto por toda a comunidade e visitantes no concelho de Góis.