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Território



i. Caracterização do concelho


A Vila de Góis, sede do concelho homónimo, situa-se na parte oriental do distrito de Coimbra, a cerca de 45km dessa cidade. O Concelho de Góis encontra-se na Região Centro, na sub-região do Pinhal Interior Norte, numa área montanhosa, ladeada pelos rios Mondego e Zêzere, fazendo parte do complexo orográfico da Serra da Lousã. Os concelhos que o rodeiam são, a norte, Arganil, Vila Nova de Poiares e Lousã; a nascente, Arganil e Pampilhosa da Serra; a poente, Lousã e Castanheira de Pêra; a sul Castanheira de Pêra e Pedrógão Grande.

O indubitável isolamento geográfico de Góis, característico do interior do nosso país, acentuado ainda mais pelas características geográficas de zonas de montanha, originou um povoamento disperso. Assim, as 190 povoações do concelho distribuem-se pelas suas 4 freguesias: Alvares, Góis, Vila Nova do Ceira e União das Freguesias de Cadafaz e Colmeal. Estima-se que, nos últimos censos, a população concelhia rondaria os 4.260 habitantes, a maioria concentrada na sede de concelho - uma das mais baixas taxas demográficas do distrito de Coimbra, lamentavelmente com tendência a decrescer.

O Vale do Ceira atravessa a quase totalidade do Concelho de Góis e este encontra-se delimitado e separado da Beira Serra Interior pelas serras da Lousã e do Açor, desenvolvendo-se numa vasta área territorial com cerca de 276km2. O relevo do concelho é muito acidentado, destacando-se as elevações da Serra da Neve, que atinge os 1131m, e da Serra do Penedo, com 1043m de altitude - o imponente afloramento quartzítico do período do Ordovício, vulgarmente designado por Penedos de Góis, certamente um dos mais soberbos miradouros naturais do centro do país. O principal rio da região é o Ceira, afluente do Mondego que corre pelo Concelho e pela Vila de Góis. Outros cursos de água a destacar são o Rio Sótão, que nasce na Serra da Neve, e as ribeiras de Ádela, da Roda, de Unhais, de Méga, da Foz e de Celavisa.

No âmbito da ocupação do solo destaca-se a mancha florestal, que corresponde a aproximadamente 26.000 hectares, contra um total de 826,64hectares para a ocupação agrícola. A ocupação humana abrange uma área de 397,39 hectares e a área de incultos perfaz um total de 5.346,69 hectares.

No Vale do Ceira pode apreciar-se uma bela e encantadora paisagem natural, com a predominância do elemento água, desenvolvendo-se em altivas montanhas, por todo o concelho e que rodeiam a área urbana da Vila de Góis. Essa paisagem constitui, desde épocas remotas, o maior potencial endógeno do Concelho de Góis.

Na área do concelho mais aplanada, próxima dos cursos fluviais, os campos férteis são propícios à exploração agrícola. Nas zonas mais acidentadas pelo relevo, a população dedica-se, essencialmente, à exploração agro-pecuária e florestal. Os habitantes da serra, adaptando-se às escarpas do terreno, criaram muros de sustentação de terras, redes de distribuição de água para rega e outras estruturas de apoio, como lagares, moinhos e pontes, que ainda hoje se encontram em uso, em muitas zonas do concelho.

A paisagem natural do Concelho de Góis encontra-se marcada pela presença do Rio Ceira, dos Penedos de Góis e da Serra da Lousã; pela biodiversidade e qualidade ambiental. Esse potencial ambiental deverá ser valorizado no âmbito do turismo e das actividades de lazer, complementado pelos elementos patrimoniais construídos, com destaque para as aldeias do xisto inseridas na Rede das Aldeias do Xisto (Aigra Nova, Aigra Velha, Comareira e Pena), um "produto turístico de qualidade, cuja visibilidade permite a promoção integrada e sustentável dos recursos patrimoniais.

As aldeias do xisto de Góis são povoações peculiares, não só pela fisionomia dos lugares, mas também pela tipologia de construção, em que o xisto está omnipresente, conservando uma imagem rural e uma vivência singulares. A sua interessante arquitectura, de cariz popular, preserva, ainda hoje, as características e materiais de construção originais.

A ocupação humana do atual Concelho de Góis remonta a tempos bastante recuados, como o têm revelado os testemunhos arqueológicos.

Da arte rupestre conhecem-se os complexos petroglíficos denominados por Pedra Letreira, classificada como Imóvel de Interesse Público, no ano de 1997, e Pedra Riscada. Esses notáveis monumentos de arte rupestre foram estudados de modo exaustivo por João de Castro Nunes, Augusto Nunes Pereira e Melão Barros, que os remontam ao período pré-histórico.

A actual povoação da Vila de Góis deverá remontar ao período da Reconquista. Um dos documentos mais antigos que se refere a Góis data de 1114 - a carta da doação de Góis feita por D. Teresa e D. Afonso Henriques ao rico-homem Anião Vestaris (Trastares ou Estrada) pelos serviços prestados.

O século XVI corresponde ao período áureo da história de Góis, que está, sem dúvida, associado ao nome da família Silveira, principalmente a D. Luís da Silveira - 17º Senhor de Góis, 1º Conde de Sortelha, guarda-mor de D. Manuel e de D. João III -, que morre em Góis, em 1533. D. Luís mandou edificar uma série de edifícios e obras de arte, ainda hoje apreciadas, destacando-se a capela-mor da igreja Matriz; o seu túmulo, no interior do mesmo templo; a capela do Castelo; a ponte real de três arcos, um dos ex-libris da vila.

D. Diogo da Silveira, 18º Senhor de Góis e 2º Conde de Sortelha, sucede a seu pai, ocupando cargos importantes junto da corte. A D. Diogo se deve a fundação do hospital de Góis e respectiva capela dedicada ao Espírito Santo, na segunda metade do século XVI, que foram, recentemente, alvo de uma intervenção arqueológica levada a cabo pelo Município de Góis.

Com as reformas de Mouzinho da Silveira, surge o decreto de 13 de Agosto de 1832, que extingue os forais, senhorios e doações régias, tornando-os bens livres. Termina assim o senhorio de Góis.

No século XVIII dá-se surto de desenvolvimento industrial, com a instalação das fábricas de papel na Lousã e, posteriormente, em Góis, na aldeia de Ponte do Sótão.

O Concelho de Góis é predominantemente silvícola e rural, caracterizando-se por uma agricultura e pastorícia de subsistência, que persistem na actualidade, complementadas com outras actividades económicas. Na zona industrial, criada recentemente, encontramos, por exemplo, fábricas de alumínio, de cerâmica, de candeeiros, de mármores e uma serralharia. A actividade artesanal ainda tem alguma expressão, destacando-se o trabalho em estanho, as miniaturas de alfaias agrícolas, as colheres de pau, as casas de xisto, as tapeçarias e os bordados.

O isolamento geográfico do concelho, associado a uma deficiente rede viária, tem contribuído, sobretudo desde os anos 50, para um contínuo despovoamento da região. Nesse âmbito, o Concelho de Góis, bem como a grande maioria dos concelhos de interior do nosso país, vive o estigma da desertificação, que urge combater, designadamente através de estratégias de desenvolvimento, especialmente nos setores turístico e industrial.

ii. Análise swot

Pontos fortes

-Aposta na criação, da parte de privados, de espaços museológicos, motores de divulgação da história e tradições locais;

- Presença de recursos turísticos de qualidade vocacionados para diversos segmentos como turismo de natureza, turismo ativo, touring cultural e paisagístico e turismo gastronómico;

- Valorização do património arquitetónico classificado existente;

- Implementação de rede de percursos pedestres (pr) no concelho, certificados e homologados.

Pontos fracos

- Debilidades ao nível do serviço prestado pelos transportes públicos dentro do concelho;

- Dificuldade na afirmação da capacidade empreendedora, sobretudo jovem;

- Património natural, cultural e imaterial em risco de degradação e/ou perda irreparável;

- Fraca aposta na gastronomia local;


Oportunidades

- Novo quadro comunitário Portugal 2020;


Ameaças

- Impacto da crise nacional/internacional na procura turística;