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Antigo Hospital de Góis



fotoescavaçõesO antigo hospital de Góis situa-se em pleno centro histórico da vila, voltado para a Praça da República. Contígua ao edifício do hospital encontra-se a antiga capela do Espírito Santo.

 

A data de construção do conjunto edificado oferece algumas dúvidas, já que as fontes não são claras quanto a esse assunto. Assim, poderá remontar ao ano de 1559 ou 1560, conforme inscrição de pedra que se encontra embutida na fachada principal do edifício. No entanto, os estatutos do hospital foram aprovados apenas no ano de 1577. O Tombo de 1799, por outro lado, aponta uma cronologia anterior, o ano de 1555.

 

A construção do hospital e da capela corresponde a uma vontade de D. Diogo da Silveira, 2º Conde de Sortelha e 18º Senhor de Góis.

 

O hospital, inicialmente, foi criado para albergar peregrinos e pobres necessitados de um agasalho, conforme os estatutos que D. Diogo da Silveira lhe concedeu.

 

Mais tarde, a instituição ter-se-á especializado no tratamento da sífilis, recebendo pacientes de todo o país. Tornou-se então um hospital com enorme projeção, até à data do seu encerramento, no dia 13 de março de 1831, provavelmente devido ao clima de instabilidade que se vivia na época, sendo definitivamente desativado em 1834, em consequência das reformas de Mouzinho da Silveira.

 

A partir de então, o conjunto arquitetónico é adquirido por particulares, nomeadamente pela família Nogueira Ramos, sofrendo, naturalmente, uma série de transformações. O hospital adaptou-se a habitação e lojas. A capela serviu, desde então, diversas funções: inicialmente como teatro, mais tarde é utilizada, em diferentes períodos que não sabemos precisar com exatidão, como depósito de azeite, padaria e forno de pão, posto de informação juvenil e galeria de exposições, tendo servido, até aos anos 90 do século XX, como talho.

 

O edifício do hospital desenvolve-se, atualmente, em dois pisos, e tem, no lado da sua fachada posterior, um jardim ou terraço, a que se junta outro edifício, em tempos remotos os Paços Velhos de Góis, o qual, conforme testamento da proprietária, a saudosa artista Alice Sande, passará a ser propriedade da Autarquia, para aí criar a Casa-Museu Alice Sande.

 

No atual jardim da casa Nogueira Ramos terá funcionado a claustra do hospital e o jardim dos Paços Velhos, onde, segundo o Tombo de 1799, estaria a torre senhorial com o relógio da vila. Em meados do século XIX, a torre ainda se erguia junto aos Paços Velhos, apesar de coberta de heras. Nos finais da mesma centúria, o edifício desaparecera, restando apenas alguns vestígios.

 

A relação física entre o edifício dos Paços Velhos e o edifício do hospital parece evidente, se tivermos em conta o facto de o jardim que os separa estar contíguo a ambos e nele se confundirem serventias.

No ano de 2003, altura em que a família Nogueira Ramos já não habita a casa, o Município de Góis adquire o conjunto edificado, antigos hospital e capela, com a intenção de aí instalar o futuro museu municipal, onde poderá expor as diversas coleções que possui, nomeadamente de ourivesaria, mobiliário, arte sacra e louça, na sua esmagadora maioria resultado de doações efetuadas ao Município. Nesse âmbito, destacam-se o Legado Dr. Alfredo Simões Travassos, o espólio legado pela Arq.ª Margarida Coelho, bem como as ofertas da Sr.ª Enf.ª Fátima Jesus Neves. Para tal, tem vindo a desenvolver uma intervenção prévia de carácter histórico e arqueológico, de modo a enriquecer o programa museológico e com vista à criação de um projeto de arquitetura, que já se encontra em elaboração. Nesse sentido, em março de 2005 a Autarquia deu início aos trabalhos arqueológicos.

 

Os trabalhos arqueológicos têm como objetivos principais:

·               Perceber como se desenvolveria o edifício,

·               Verificar a dimensão real do antigo hospital e da sua capela,

·               Perceber a funcionalidade do espaço correspondente ao pátio ou jardim,

·               Identificar diferentes fases de ocupação dos edifícios e do espaço envolvente.

 

Dos trabalhos, refira-se, em primeiro lugar, a intervenção de arqueologia vertical, através da picagem de paredes no interior dos edifícios, que, de um modo geral, veio esclarecer algumas questões relacionadas com a evolução da organização espacial do conjunto edificado. Assim, já identificámos diferentes técnicas de construção utilizadas na edificação e nas diversas reestruturações patentes nos edifícios em estudo: alvenaria de pedra (século XVI); alvenaria de tijolo burro (séculos XIX/XX); alvenaria de tijolo furado (século XX); tabique de rodízio (século XVI?); tabique de fasquio (séculos XIX/XX?); adobe (séculos XIX/XX?). Por outro lado, esta fase da intervenção arqueológica deu-nos uma leitura possível de, pelo menos, duas fases de ocupação do edificado, a primeira entre os séculos XVI-XIX (aproximadamente) e a segunda entre os séculos XIX-XX (aproximadamente), confirmando, grosso modo, as fontes escritas e os testemunhos orais.

 

No exterior, na área correspondente ao jardim da casa, escavaram-se sondagens arqueológicas no terreno, onde foram postas a descoberto uma série de estruturas antigas, nomeadamente os vestígios do que pensamos tratar-se da antiga torre do relógio; poços construídos em alvenaria de pedra; vestígios de um canal para transporte de água; pavimentos de pedra.

 

Para além das estruturas encontradas, o espólio arqueológico recolhido foi imenso e de grande qualidade: uma peça de liga de cobre que deverá corresponder a um almofariz; fragmento de uma peça de barro relacionada com o culto religioso; grandes quantidades de cerâmicas (em fragmentos ou peças inteiras) de várias épocas; metais; vidros e moedas.

 

A divulgação do sítio arqueológico ao público em geral e, em particular, ao público escolar é um objetivo que o Município de Góis quer ver concretizado.

 


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Posto de Turismo da Câmara Municipal de Góis