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Enquadramento histórico



A ocupação humana do atual Concelho de Góis remonta a tempos bastante recuados, como o têm revelado os testemunhos arqueológicos.


Da arte rupestre conhecem-se os complexos petroglíficos denominados por Pedra Letreira, classificada como Imóvel de Interesse Público, no ano de 1997, e Pedra Riscada. Esses notáveis monumentos de arte rupestre foram estudados de modo exaustivo por João de Castro Nunes, Augusto Nunes Pereira e Melão Barros, que os remontam ao período pré-histórico. No concelho foram encontrados outros achados arqueológicos, nomeadamente, um machado plano metálico de tradição eneolítica que apareceu, segundo João de Castro Nunes, nos anos 50, nuns terrenos de cultivo junto à ribeira de Piães, no lugar de Liboreiro, freguesia de Góis, que, na época o ofereceu ao Museu Municipal de Arganil. Associado a esse machado, conhece-se um machado de talão, que foi encontrado na zona da mina pré-histórica da Eira dos Mouros, onde, segundo João de Castro Nunes, foram recolhidos diversos materiais, como alguns machados de pedra polida.


Do período romano conhecemos locais de exploração mineira, nomeadamente, as minas de ouro romanas da Escádia Grande, na freguesia de Alvares, onde se encontraram algumas lucernas; os poços de exploração mineira da Cova dos Ladrões, na freguesia de Alvares, onde se recolheram vários fragmentos de cerâmica romana e duas aras; a antiga mina do lugar dos Povorais, na freguesia de Góis, onde apareceram dois picões de ferro. Nas areias da ribeira de Bordeiro, na freguesia de Góis, apareceu um brinco de ouro, cuja datação João de Castro Nunes aponta para o período romano. Dos diversos achados arqueológicos não se conhece o seu paradeiro.


A atual povoação da Vila de Góis deverá remontar ao período da Reconquista. Um dos documentos mais antigos que se refere a Góis data de 1114 - a carta da doação de Góis feita por D. Teresa e D. Afonso Henriques ao rico-homem Anião Vestaris (Trastares ou Estrada) pelos serviços prestados.


O século XVI corresponde ao período áureo da história de Góis, que está, sem dúvida, associado ao nome da família Silveira, principalmente a D. Luís da Silveira - 17º Senhor de Góis, 1º Conde de Sortelha, guarda-mor de D. Manuel e de D. João III -, que morre em Góis, em 1533. D. Luís mandou edificar uma série de edifícios e obras de arte, ainda hoje apreciadas, destacando-se a capela-mor da Igreja Matriz; o seu túmulo, no interior do mesmo templo; a Capela do Castelo e a ponte real de três arcos, um dos ex-libris da vila.


D. Diogo da Silveira, 18º Senhor de Góis e 2º Conde de Sortelha, sucede a seu pai, ocupando cargos importantes junto da corte. A D. Diogo se deve a fundação do hospital de Góis e respetiva capela dedicada ao Espírito Santo, na segunda metade do século XVI, que foram alvo de uma intervenção arqueológica levada a cabo pela Câmara Municipal de Góis.


Com as reformas de Mouzinho da Silveira, surge o decreto de 13 de Agosto de 1832, que extingue os forais, senhorios e doações régias, tornando-os bens livres. Termina assim o senhorio de Góis.


No século XVIII dá-se, nesta região tradicionalmente rural, um surto de desenvolvimento industrial, com a instalação das fábricas de papel na Lousã e, posteriormente, em Góis, mais precisamente na povoação de Ponte do Sótão, no ano de 1821. O século XIX foi marcado por dois momentos dramáticos em Góis e em todo o país: as invasões francesas e as lutas liberais. Desde essa época Góis tem vivido lentamente a sua história, que se caracteriza por uma forte interioridade.


A exploração mineira é uma atividade antiga no concelho, que se prolongou até há bem pouco tempo, permanecendo como uma atividade económica importante que cessou por volta dos meados do século XX. Numa vertente meramente cultural, para além das minas com interesse arqueológico, temos locais de exploração mineira com um interesse arqueológico-industrial, nomeadamente as minas de volfrâmio e estanho da Sandinha, na freguesia do Cadafaz, e de Nossa Senhora da Guia, na freguesia de Góis.